v. 19, n. 35 (2001)

Editorial

A reflexão sobre a linguagem é contemporânea da história da humanidade. Associada aos mitos cosmogônicos, a linguagem remete à palavra como um ato — o ato inicial, preexistente à criação. Daí o sentido mágico do fiat lux bíblico, do verbo como semente fecundante e primeira manifestação divina: Deus criou o fundamento da linguagem antes de materializar os seres. Em tempos modernos Heidegger retoma a questão: "Somente quando se encontrou a palavra para a coisa, é esta uma coisa...".

Explorado pelas correntes linguísticas do século XX, o conceito veio a significar a capacidade própria à espécie humana de comunicar-se por meio de um sistema de signos, com função simbólica. A linguagem fornece então ao homem a dupla possibilidade de agir sobre o(s) outro(s) e de perpetuar a lembrança dessa ação, possibilidade que se encontra na raiz mesma da história.

Na sua vasta polissemia, o termo se define não somente como idioma. Se tudo é signo no comportamento humano, tudo é linguagem. Assim, tal noção poderá referir-se ao domínio verbal — compreendendo os estudos linguísticos e literários — e ao domínio não verbal —abrangendo as diversas artes e os diversos modos de significar, âmbito da semiótica.

Todo o processo de comunicação que subjaz ao ato linguístico ou a toda semiose acontece em contextos psicossociais e históricos. Daí o vínculo natural que se estabelece entre linguagem e educação, o que nos permite falar de ensino e linguagem midiática, paraliterária, paródica, artística, matemática, pedagógica — objetos do presente número da revista Vidya.

Zília Mara Scarpari

Editora

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