O sentido da verdade e a verdade do sentido: Niklas Luhmann e Markus Gabriel diante do problema da inteligibilidade
DOI:
https://doi.org/10.37778/dscsa.v22i1.5811Resumen
Este artigo investiga em que medida as epistemologias de Niklas Luhmann e Markus Gabriel, apesar de partirem de tradições e problemas distintos, podem ser aproximadas por um gesto crítico comum contra concepções simplistas de verdade, totalidade e fundamento. Partindo de um método fenomenológico-hermenêutico, o estudo reconstrói, em Luhmann, a substituição do paradigma representacional por um paradigma operacional: conhecer passa a significar observar, e observar implica operar distinções que reduzem complexidade no interior de sistemas autopoiéticos de comunicação funcionalmente diferenciados. Em Gabriel, examina-se a ontologia pluralista que recusa o “mundo” como totalidade absoluta, propondo que existir é aparecer em campos de sentido irredutíveis, sem hierarquia redutiva ao naturalismo. O argumento central sustenta que, embora “sistema” e “campo de sentido” não sejam conceitos equivalentes, ambos funcionam como condições de inteligibilidade do real em um cenário de complexidade: a realidade não se oferece como um todo transparente, mas se torna acessível por mediações estruturadas - ora comunicativas e sistêmicas, ora ontológicas e pluralistas. A conclusão aponta, assim, que a interlocução entre Luhmann e Gabriel não depende de harmonização artificial, mas da identificação de uma afinidade mínima: a recusa de qualquer acesso imediato ao todo e a afirmação de múltiplos domínios nos quais o real opera, aparece e se compreende.
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