Uma análise da retórica conservadora-populista de Jair Bolsonaro: do impeachment de Dilma Rousseff (2016) à eleição presidencial de 2018
DOI:
https://doi.org/10.37778/dscsa.v22i1.5835Palabras clave:
Hegemonia; Populismo; Jair Bolsonaro; Ernesto Laclau; Direitos FundamentaisResumen
O presente trabalho analisa a ascensão da retórica conservadora no Brasil contemporâneo sob a ótica da teoria do discurso de Ernesto Laclau, tomando como objeto as falas de Jair Bolsonaro entre o impeachment de Dilma Rousseff (2016) e a eleição presidencial de 2018. A investigação parte da crise de hegemonia do pacto pós-Constituição de 1988, caracterizada por deslocamentos sociais que culminaram em crises de representatividade e polarização. Sustenta-se que o bolsonarismo operou uma exitosa prática articulatória ao converter demandas heterogêneas e o antipetismo em uma cadeia de equivalências, fixando o líder como o significante central de uma nova identidade popular-democrática. A análise integra as provas de persuasão da retórica aristotélica (ethos, pathos e logos) e a técnica do dissoi logoi para compreender como a mobilização de categorias como família, religião e pátria constituiu uma fronteira antagônica contra o bloco de poder anterior. Conclui-se que o fenômeno bolsonarista representa uma metamorfose discursiva que, ao articular o ressentimento e a moralidade tradicional via redes sociais, logrou fixar um novo centro de poder, tensionando os marcos institucionais e os direitos fundamentais no cenário nacional.
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