Consumo de vitamina K e estabilidade da anticoagulação em pacientes ambulatoriais com fibrilação atrial
DOI:
https://doi.org/10.37777/dscs.v26n1-5239Keywords:
anticoagulantes; vitamina K; dieta; tempo de protrombina; fibrilação atrialAbstract
Objetivo: Avaliar a ingestão de vitamina K e a estabilidade da anticoagulação em pacientes ambulatoriais com fibrilação atrial (FA) em uso de antagonistas da vitamina K (AVK) em uma população regional brasileira, para a qual ainda existem dados insuficientes sobre essa associação. Métodos: Estudo de coorte prospectivo que incluiu 37 pacientes ambulatoriais adultos com FA em uso regular de AVK, acompanhados no ambulatório de anticoagulação de um hospital universitário no sul do Brasil. Os pacientes foram avaliados no momento basal, aos 30 e aos 60 dias. Em cada visita, a ingestão de vitamina K foi avaliada por meio de recordatório alimentar de 24 horas, e o tempo de protrombina foi mensurado e expresso pela razão normalizada internacional (INR). A estabilidade da anticoagulação foi determinada pelo tempo na faixa terapêutica (TTR), calculado pelo método de interpolação linear de Rosendaal, considerando-se TTR ≥60% como adequado. A análise estatística foi realizada utilizando o teste de Kolmogorov-Smirnov para verificação de normalidade, teste t de Student ou teste de Mann-Whitney para comparação de variáveis contínuas, teste do qui-quadrado de Pearson ou teste exato de Fisher para variáveis categóricas, coeficiente de Spearman para correlações e modelo de Equações de Estimação Generalizadas para medidas repetidas ao longo do tempo. Adotou-se nível de significância de P<0,05. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (protocol no. 4.490.085, CAEE 40530620.4.0000) e todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Resultados: Foram incluídos 37 pacientes, com média de idade de 69,0±9,9 anos e predominância do sexo masculino (78,4%). Com base no TTR anterior à inclusão no estudo, 22 pacientes (59,4%) apresentaram TTR inadequado (<60%), enquanto 15 (40,5%) apresentaram TTR adequado (≥60%). A ingestão média de vitamina K ao longo das três avaliações foi de 34,4 μg/dia, e 94,6% dos pacientes não atingiram os valores recomendados pelas Dietary Reference Intakes. No momento basal, pacientes com TTR adequado apresentaram maior ingestão de vitamina K do que aqueles com TTR inadequado (mediana de 34,8 vs. 13,9 μg/dia; P=0,033). Entretanto, não foi observada associação significativa entre ingestão de vitamina K e TTR aos 30 dias (mediana de 34,3 vs. 29,8 μg/dia; P=0,877), aos 60 dias (mediana de 16,1 vs. 24,0 μg/dia; P=0,307) ou ao se considerar a ingestão média ao longo dos 60 dias de seguimento (mediana de 35,9 vs. 30,4 μg/dia; P=0,458). Conclusão: Nesta coorte de pacientes ambulatoriais com FA em uso de AVK no sul do Brasil, a ingestão dietética média de vitamina K foi marcadamente inferior aos valores recomendados, e a ingestão de vitamina K não se associou à estabilidade da anticoagulação mensurada pelo TTR. Ao fornecer dados específicos de uma população regional brasileira sobre o consumo de vitamina K e sua relação com o controle da anticoagulação em usuários de AVK, este estudo contribui para preencher uma lacuna relevante nas evidências atuais sobre o manejo dessa terapia.
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