A teoria Kantiana da causalidade por liberdade na "crítica da razão pura"

Adriano Perin, Solange de Moraes

Resumo


A causalidade por liberdade, conforme apresentada por Kant no esquema teórico da Terceira Antinomia, parece anunciar não somente uma preocupação em assegurar certeza ao conhecimento, mas também uma tentativa, ainda que problemática de uma perspectiva estritamente teórica, de garantir uma futura teoria da moralidade. Eis porque Kant, na solução da Terceira Antinomia, apresenta como problemas tanto conciliar uma causalidade por liberdade incondicionada com a causalidade da natureza, como também estabelecer aquela causalidade como causa espontânea na determinação da vontade. Embora Kant anuncie esta tese já no Prefácio da Segunda Edição da Crítica e depois a apresente como problemática na Dialética Transcendental, ele ainda não conseguiria, nesta última passagem, mostrar como a moralidade pode ser afirmada como ciência possível, mediante o pressuposto da possibilidade e da realidade objetiva da liberdade enquanto liberdade prática. No Cânone da Razão Pura, na qual Kant afirma que a liberdade prática é conhecida pela experiência como uma das causas naturais, parece ser difícil compreender como esta seria, concomitantemente, conhecida pela experiência e diferente dos acontecimentos empíricos subordinados à causalidade da natureza. O estudo, realizado a partir de uma análise sistemática da filosofia kantiana apresentada na Crítica da razão pura, especialmente na Dialética Transcendental e no Cânone da Razão Pura, mostra que uma causalidade por liberdade, nesta obra de Kant, pode ser apresentada só como uma idéia transcendental, cujo pensamento o filó- sofo conseguira admitir como não-contraditório e necessário. A possibilidade mesma desta causalidade, entretanto, que garantiria realidade à liberdade prática, parece não poder ser estabelecida na primeira Crítica. O que Kant parece ter feito nesta obra é assegurar um lugar para a moralidade no seu sistema filosófico, a partir da restrição do conhecimento à experiência e, assim, do reconhecimento da possibilidade de se pensar que a moralidade pode “ocupar terreno” além do campo da experiência mediante um uso puro prático da razão.

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