A QUESTÃO DA FENOMENOLOGIA DA MATÉRIA ENTRE HENRY E HUSSERL
DOI:
https://doi.org/10.37782/thaumazein.v19i37.5493Palavras-chave:
Fenomenologia; Husserl; Michel HenryResumo
Este artigo busca elucidar os questionamentos trazidos por Michel Henry, em sua obra Fenomenologia material, à fenomenologia hilética de Edmund Husserl, descrita nas obras Investigações lógicas II, Ideias I e Lições para uma fenomenologia da consciência interna do tempo. Após expostos os conceitos originais descritos por Husserl, o estudo detalha as respectivas críticas de Henry, no que tange à reconstrução do ato de perceber com qualidades do percebido, transpondo de modo sub-reptício aspectos noemáticos para caracterizar os aspectos noéticos. Primeiramente, em relação à matéria das sensações e, posteriormente, no que se refere às impressões temporais. Em seguida, este estudo recupera os textos subsequentes de Husserl nos quais os conceitos relacionados ao perceber são complexificados, enriquecendo essa leitura representacionista da consciência, como um agregado de matéria sensorial amorfa ‘in-formado’ pelos atos intencionais, a partir da noção de unidade intuitiva. Henry não nega a importância da intencionalidade de Husserl, mas propõe uma fenomenologia da vida pautada na inintencionalidade e na invisibilidade da afetividade. Ele assume como mais originária a senciência do afeto na vida em detrimento da intencionalidade da consciência no tempo. As publicações dos textos subsequentes de Husserl, posteriores às examinadas por Henry, apontam que sua crítica, ainda que coerente, está circunscrita apenas a algumas obras iniciais da volumosa e ainda não totalmente publicada obra de Husserl. Este artigo não busca concluir quem estaria certo, mas indicar os diferentes pressupostos que esses autores tomaram como pedra angular de suas fenomenologias.
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