A NOVA DILUCIDATIO DE KANT E O DEBATE ENTRE WOLFF E CRUSIUS

Eduardo Ruttke von Saltiel

Resumo


Oferecemos uma interpretação para a tese da Primeira Seção da Nova Dilucidatio, texto de Immanuel Kant publicado em 1755, no qual é atribuído ao princípio de identidade a primazia na demonstração de todas as verdades (em detrimento do princípio de contradição, como defendia Christian Wolff). A fim de examinar e contextualizar a justificativa de Kant em favor da primazia desse princípio, levamos em consideração teses de Wolff que fundamentavam o conhecimento ontológico do ente sobre o princípio de contradição. Aspectos da ontologia e da lógica wolffianas são brevemente expostos, a fim de tornar mais clara a centralidade dos princípios de contradição e de razão suficiente para Wolff, assim como para mostrar como se relacionavam os dois princípios. Em seguida, analisamos a natureza da crítica de Christian Crusius à prova wolffiana do princípio de razão suficiente, e sustentamos que tal crítica é importante na recusa da Nova Dilucidatio em conferir ao princípio de contradição a primazia sobre todas as verdades. Por fim, oferecemos uma interpretação para a tese kantiana de que o princípio de identidade governa todas as demonstrações de verdades. Uma correta interpretação dessas teses é importante, pois ajuda a medir o grau da discordância de Kant nesse estágio de seu pensamento com relação à metafísica wolffiana, assim como indica a consciência do jovem filósofo sobre a necessidade de oferecer uma justificativa alternativa ao princípio de razão.

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Referências


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