Ecos da barbárie e destroços do passado: fragmentação e transgressão mimética em a região submersa

Gilson Vedoin, Kathi Crivelaro Lopes

Resumo


As implicações autoritárias, que sempre permearam o decurso histórico, afetaram a tessitura 'lecionai de Tabajara Ruas como um todo. A região submerso (1978), seu primeiro romance, configura-se na mímese dessacralizadora de um obscuro período histórico: o regime ditatorial brasileiro. Um retrato sobre os anos repressivos, erigido sobre os pilares de uma narrativa tensa e caleidoscópica que faz uso das tortuosas características da literatura moderna. Numa era caótica, em que o convencional ismo literário foi suplantado pelas novas técnicas narrativas, toma-se inviável a representação de uma realidade apocalíptica por meio de embasamentos utópicos e cânones tradicionais (personagens planas, narrativa linear, enredos lógicos, etc...). Assim, as atrocidades cometidas no passado são retomadas nos dias atuais e urdidas como principais diretrizes da ficção contemporânea. Afastado da vertente maniqueísta do realismo objetivo, o romance de Tabajara Ruas emerge como intuito de propor novas reflexões e (m) elaborar novos questionamentos críticos acerca do violento impacto causado —pela crueldade e pelo despotismo — nas estruturas históricas envoltas por uma aura catastrófica e, definidas por Walter Benjamin, como um "amonto-ado de ruínas". Ensaios teóricos como os de Eduardo Subirats, Márcio Seligmann-Silva Anatol Rosenfeld, dentre outros que se ocuparam das investigações acerca de cultura contemporânea e de historiografia, constituem um relevante auxílio para a interpretação do romance em questão.

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